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Há 17 anos perdíamos Hilda Hilst

É triste explicar um poema.
É inútil também. Um poema não se explica.
É como um soco.
E, se me for perfeito, te alimenta para toda a vida.

Provocadora. Intensa. Polêmica. Libertina. Transgressora. Chocante. Corajosa. Politicamente incorreta (não da forma sacal como querem alguns idiotas irremediáveis – principalmente da “direita”). Questionadora sem papas na língua. Lúcida como poucos.

Poderíamos continuar muito tempo nesse jogo de adjetivação, mas nada chegaria sequer perto de expressar a grandiosidade e a pertinência da obra e da vida de Hilda Hilst (1930-2004).

Na madrugada da data de hoje, há exatos 17 anos, Hilda falecera de falência múltipla dos órgãos no Hospital das Clínicas de Unicamp, após uma longa internação de 35 dias para fazer uma cirurgia por ter fraturado o fêmur numa queda.

Durante boa parte de sua vida, sua obra foi pouco lida e divulgada, principalmente por seu caráter transgressivo e questionador, refletindo muita das experiências pessoais e da vida afetiva e sexual da autora, de suas escolhas para construir o seu próprio caminho na vida.

De forma bem-humorada Hilda comenta numa entrevista que tivera dificuldades com a distribuição de sua obra por parte de alguns editores, e que por isso nunca conseguiu tanto reconhecimento ou retorno financeiro quanto suas obras mereciam.

Autora bastante prolífica, teve suas primeiras obras publicadas no começo da década de 50. Desde então vieram mais duas dezenas de livros de poesia, 13 livros de ficção e 9 peças de teatro.

“O que é obsceno? (…) Obsceno para mim é a miséria, a fome, a crueldade, a nossa época é obscena.”

Hilda iniciou sua produção literária em São Paulo, com o livro de poemas Presságio (1950). Em 1965, ela se muda para Campinas e inicia a construção da Casa do Sol, para ser um porto seguro de sua criação. É na Casa do Sol que Hilda dedica-se exclusivamente ao trabalho literário, realizando ali mais de 80% de sua obra. Em 1967, ela estreia na dramaturgia e em 1970, na ficção, com Fluxo floema.

Autora complexa e multifacetada como é, costuma sofrer, por parte dos comentadores, críticos e do próprio público, vários recortes nos quais é fácil cair-se em engano. Por ser um post meramente de rememoração de um acontecimento – sua morte -, no entanto, não irei produzir um comentário ou reflexão a esse respeito. Ficará para outras oportunidades e discussões.

Hilda nos lega uma obra muito bem escrita e vivida. Soube experimentar com sua pena temas picantes e tabus de aura libertina – O Caderno Rosa de Lori Lamby  sendo um desses que ainda choca por seu relato de pedofilia e bizarrices sexuais -, passando por visões supersticiosas e religiosas até questões sobre a loucura e reflexões sobre a mulher na sociedade.

 

“Atenção: Atenção:
Por que tens medo?
Sexo e Morte
São cônjuge e consorte.”

 

Com boa parte das obras originais esgotadas, a Globo Livros reeditou sua obra completa a partir de 2000, e em 2016 os direitos de publicação passaram para a Companhia das Letras.

Suas obras ganharam traduções mundo afora.

O acervo pessoal deixado pela escritora se divide, hoje, entre a Sala de Memória Casa do Sol — onde há, inclusive, produções inéditas — e o Centro de Documentação Cultural Alexandre Eulálio da Universidade Estadual de Campinas (Cedae-Unicamp).

Não à toa permanece como um grande monumento literário em língua portuguesa, uma das maiores escritoras do século XX. Uma obra pertinente de cabo a rabo.

Hilda não está mais entra nós há 17 anos, mas a sua obra ainda permanece objeto de controvérsia e de inspiração.

Que essa inspiração nos auxilie a continuar transgredindo e ampliando nossos horizontes de vida.

Acesse aqui também o site do Instituto Hilda Hilst que toma conta de seu legado.

 

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Gostou desse conteúdo? Ainda voltaremos a falar sobre a Hilda Hilst em outros momentos neste blog.

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Um grande beijo, bon voyage e até o próximo post!