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Adeus a Chick Corea

Alguns nascem para a grandeza. São pessoas cujos talentos são capazes de abrir espaços dentro e fora das estruturas conhecidas e assim invocar o espírito de renovação na cultura e nas artes.

Muitas vezes o preço de tais atitudes acaba sendo a incompreensão e um certo ostracismo imposto pelo viés de conservação e desconfiança dos inauguradores de novas formas.

Mas, ás vezes, isso não acontece e acabam sendo reconhecidos e louvados em seu tempo. Não foram os casos de Vincent Van Gogh, Antonin Artaud ou Alfred Jarry. Mas o foi, por exemplo, no caso de Chick Corea. 

Chick Corea galgou seus caminhos sempre no campo do aprendizado, da abertura, de forma humilde, simples e grandiosa. Aprendeu com todo mundo com quem tocou e até com quem nunca dividiu o palco ou o estúdio.

Eu procurei através da rebelião, drogas, dieta, misticismo, religião, intelectualismo e muito mais, apenas para começar a descobrir que a verdade é basicamente simples e é boa, clara e certa.

No dia de ontem perdemos o genial pianista e músico de jazz Chick Corea para um tipo de câncer raro. A família, no entanto, não especificou que tipo de câncer.

Faleceu aos 79 anos e deixou uma obra vasta e desconcertante com cerca de 39 álbuns solos, 5 em parceria com Gary Burton, 6 com o Circle, 8 com o Return to Forever, 7 com o Chick Corea’s Eletrik Band, 4 com o Chick Corea & Origin e 3 com o Chick Corea’s Akoustic Band – gravados entre 1966 e 2006.

Armando Anthony “Chick” Corea (Chelsea, 12 de junho de 1941 – 9 de fevereiro de 2021) foi um dos maiores pianistas e tecladistas de jazz estadunidense e um compositor bastante conhecido por seu trabalho na década de 1970 no gênero chamado jazz fusion, apesar de ter contribuições significativas para o jazz tradicional.

Participou da criação do movimento electric fusion como membro da banda de Miles Davis na década de 1960, e, nos anos 1970, fez parte do grupo Return to Forever. Continuou a buscar outros colaboradores e a explorar vários estilos e gêneros musicais nos anos 1980 e 1990.

Você não precisa ser Picasso ou Rembrandt para criar algo. A graça disso, a alegria de criar, está muito acima de qualquer outra coisa relacionada à forma de arte.

De sua carreira solo, destacam-se as músicas “Spain“, “500 Miles High“, “La Fiesta“, “Armando’s Rhumba” e “Windows“, consideradas essenciais no jazz tradicional.

Entre os pianistas de jazz, Corea é considerado um dos mais influentes, desde Bill Evans (junto com Herbie Hancock, McCoy Tiner e Keith Jarrett). Também é conhecido por ser um promotor da cientologia.

Eu não queria mais me satisfazer. Eu realmente quero me conectar com o mundo e fazer minha música significar algo para as pessoas.

Durante sua eclética vida focada no aprendizado musical e no desenvolvimento de seu estilo, técnica e carisma, Corea foi influenciado por músicos do bebop como Dizzy Gillespie, Charlie Parker, Bud Powell, Horace Silver e Lester Young.

Adquiriu larga experiência em concertos ao lado de Salvatore Sullo – do qual tinha lições desde os 8 anos e o introduziu à música clássica para aprimorar suas composições. Também ganhou experiência tocando nas bandas de Mongo Santamaria e Willie Bobo (1962-1963), Blue Mitchell (1964-1966), Herbie Mann e Stan Getz, para daí ter seus rasantes solos.

Eu tive a chance de escutar e assistir Thelonious Monk e seu quarteto tocarem dois shows numa noite, por seis semanas. Foi um grandioso aprendizado. Essa foi minha universidade, cara.

 

Minha única coisa é que eu continue a ser interessado e querer ser um estudante. Eu não quero ser um mestre. Quando estou aprendendo algo, estou no meu elemento.

Chick Corea foi ganhador de 23 prêmios do Grammy e indicado mais de 60 vezes ao longo de uma carreira de mais de 50 anos.

Com uma vida belamente devotada ao som e ao companheirismo com tantos outros músicos, deixamos aqui nossa elegia a esse eterno estudante que nos ensina magistralmente e com humildade sobre a genialidade do simples e a riqueza do possível.

Que seu legado continue a inspirar artistas, aprendizes e músicos em todos os cantos e rincões deste mundo.

Você precisa criar o espaço, e então preenchê-lo.

Assim o fez o grandioso – e humilde – Chick Corea. Fará muita falta em tempos tão barulhentos, violentos e presunçosos.

 

 

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