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Nem um centímetro a mais para o Fascismo: já estamos para além da asfixia

Convocação para o Ato de Amanhã (29/05/2021): pelo Impeachment de Bolsonaro (e de todos os genocidas), pela vacina, por empregos e pelas vidas!

 

Que o leitor não se assuste, mas, de fato, estamos em meio a uma guerra.

Uma guerra com ambiência, táticas e meios diversos. Uma guerra que se trava não apenas nas ruas, mas nos símbolos, na linguagem, nos valores (impostos compulsoriamente por certo modelo já falido) e na disputa espiritual pela hegemonia das consciências. Ela se dá no dia-a-dia em todas as esferas da vida cotidiana: seja no núcleo familiar, seja numa repartição pública, no ambiente de trabalho, nas mídias e nas já tão saturadas redes sociais.

Não vemos os tanques ocupando as ruas… ao menos ainda (pode ser até uma questão de tempo até que isso ocorra ou não). É preciso estar atento e forte, os alarmes já estão soando. A coisa vai ficar ainda mais feia! Nossos inimigos “não dormem” (“trabalhe enquanto eles dormem” – aliás, eles querem te convencer disso enquanto quem não dorme é exatamente você: garanto que eles não perdem suas preciosas oito horas de sono enquanto tem quem faça o serviço!) e agem sistematicamente para apagar os mínimos resíduos de possibilidade de resistência.

Desde o início da pandemia os campos mais progressistas e da esquerda vem tentado alertar e conscientizar o grande “público” (bizarro como a era da cibernetização avançada tem destruído e degenerado a noção de “povo” em um agregado numérico que chamam de “público” ou “clientela”) – e forçar as autoridades – a conter o mal pandêmico que tem causado devastações humanas ao redor do globo (sim, do globo, não da terra plana).

Acontece que os grupos empoderados e empossados nas instituições públicas mais importantes no modelo vigente de sociedade em que vivemos literalmente vive num “Brasil Paralelo” (trocadalho mais do que casual – a escolha deste nome para uma produtora direitista não é em nada inocente).

O “delírio” brasileiro parece ter se tornado algo sui generis em toda História da Civilização Ocidental. Não que a civilização como a conhecíamos fosse algo às mil maravilhas.


Vídeo: "Não queremos a vacina, nós temos a cloroquina", dizem manifestantes
Manifestantes bolsonaristas que vivem no “Brasil Paralelo” (Fonte: Correio Braziliense – Reprodução)

 

Muito pelo contrário, e seus vários críticos, dos mais refinados aos mais radicais e decadentistas, pareciam concordar em algum plano, por mais variados os ângulos de sua observação a respeito dos procedimentos e manifestação deste valor da Civilização.

O poeta Roberto Piva, por exemplo, criticava bastante a “sucata”, o “entulho”, esse amontoado sem sentido de coisas, fachadas, máquinas. Ortega y Gasset, importante filósofo espanhol, falou da mentalidade precária das massas e de seu potencial fascista. Nietzsche, o filósofo “pop” mais incompreendido que entendido de fato, criticou, dentre outras coisas, não apenas o espírito de rebanho, mas a moral dos fracos e o ressentimento. Herbert Marcuse, filósofo e cientista social alemão, em Eros e Civilização, criticou o modelo da repressão sexual sustentada pela civilização em nome do imperativo do trabalho e da produtividade a todo custo. O filósofo anarquista John Zerzan, que já fora um dos nomes do Anarcoprimitivismo, atacava a civilização como um todo como um mal generalizado que já começara desde a aquisição da linguagem simbólica e a divisão de trabalho, funções sociais, interpretações oficiais e privilégios de casta. Byung Chul-Han, que recentemente tem se destacado por sua produção intelectual crítica, ao tripudiar e alertar sobre a falência do neoliberalismo, comenta sobre como nos tornamos escravos da sociedade da alta performance e da autoexploração sob a fachada da “liberdade”.

(Poderíamos continuar avançando aqui elencando importantes críticos e críticas à civilização se não já tivéssemos exposto alguma variação em termos de amostragem.)

No entanto, ao confrontarmos a realidade brasileira dos anos 2020 – na realidade, de antes… – me parece que eles poderiam entrar em acordo quanto a algo muito básico: jamais o regresso da barbárie poderia ser uma “solução”.

Afinal de contas qual justificativa tem um presidente em uma democracia republicana – a não ser se o tal sujeito for na verdade um déspota “não-esclarecido”, nepotista aficcionado por conspirações, o que parece ser mesmo o caso – para, em meio a uma grave crise sanitária, fechar os ouvidos como um burro para as contribuições da ciência e criar todos os tipos possíveis e impossíveis de controvérsias e impedimentos para estragar caminhos diplomáticos que poderiam levar o país a ser um exemplo de sucesso na campanha de vacinação de sua população?

 

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Frase de Papa Francisco sobre cachaça e oração repercute nas redes sociais  | Poder360
Fonte: Poder360 (Reprodução)

 

Muito se difundiu nas redes por esses dias um pequeno vídeo do Papa argentino Francisco ao ser indagado sobre o Brasil no qual, em tom de brincadeira, ele diz que “O Brasil não tem solução: muita cachaça e pouca oração“.

Os mais desatentos até poderiam dizer que o tal Papa até tentou ser poeta (em português do Brasil ao menos – em que muitas tiradinhas espirituosas se passam por poemas em redes sociais), mas que acertou fundo no meme, que já se tornou produto de exportação nacional junto com a Pitú, a 51, as commodities e as “malícias” do “Menino Neymar.”

O que passou despercebido pelo “Velho Chico” da Igreja (ou talvez nem tanto, embora tenha faltado no quesito empatia) foi que Bolsonaro já tenta também, ao seu modo, exportar a deterioração espiritual e cognitiva por meio da guerra híbrida de narrativas e guerra cultural que vem operando desde seus tempos de Deputado e enquanto esteve em campanha para as “Eleições” de 2018. E aqui ele tenta implantar o seu case de sucesso.

Não seria forçoso concluir que o sucesso de seu empreendimento seria a invenção do que chamei de “brasilicídio” – uma morte por asfixia que é tão cruel e insidiosa quanto a própria morte pelo Covid19, uma catástrofe espiritual, econômica, moral em níveis alarmantes com a normalização absoluta e apática da agressão, do expurgo das vozes dissidentes e da ingerência com a coisa pública. Enquanto discípulo pasticheiro de Hitler, Mussolini e dos igualmente asquerosos Olavo de Carvalho e Carlos Alberto Brilhante Ustra, o vil carrasco da linha-dura dos porões da ditadura, a ambição de Bolsonaro é superar os seus “mestres” e angariar para si o título de “o ser mais desprezível e perverso que já pisou nesse planeta”.

De uns anos pra cá – principalmente das gestões de Dilma Rousseff adiante – as ruas não eram exclusivamente mais o campo de atuação e reivindicação dos espectros de esquerda: sejam eles moderados, progressistas, radicais e mesmo revolucionários.

Ao mesmo tempo que se foi desaparelhando a direita das instituições do poder, ela se viu em crise de abstinência da droga-Poder e descobriu a potência das manifestações que antes tanto criticavam como “coisa de estudante (e) vagabundo”. E também descobriu nas redes sociais e nos chans espaços para a desinformação, a deseducação intelectual e sentimental e o recrutamento de milícias por meio da gestão do irracional não plenamente elaborado. Foi aí que uma guinada se operou, principalmente desde as Jornadas de 2013 (um dos fenômenos que ainda hoje confundem até os mais experientes estudiosos, historiadores e agentes políticos).

O que começou em São Paulo a crescer devido à brutalidade e arbitrariedade policial contra o Movimento Passe Livre que lutava contra o já abusivo aumento de R$0,20 na passagem dos transportes urbanos (um símbolo, apenas, de algo mais profundo) acabou rebentando e se tornando um movimento de massas sem cabeças nos quais as mensagens mais confusas e contraditórias eram emitidas pela sociedade (até cartazes pedindo por “Intervenção Militar” e “Retorno do AI-5” que já se tornaram Greatest Shits nos protestos de hoje da direita). E, um dos meus favoritos: “Xô comunistas!”

Chegou-se ao absurdo de praticarem atos agressivos como linchamentos (não ficou apenas nas redes sociais!) de quaisquer indivíduos que passassem por perto de seus “protestos” usando uma inocente camiseta ou qualquer peça de roupa ou acessório na cor vermelha. Ou mesmo que tentassem algum tipo de “diálogo”. (Nas redes um dos memes que “viralizou” foi justamente de um manifestante com a camiseta da seleção brasileira ostentando um taco de beisebol – ou um tacape daqueles tipo “homem da caverna” em outra versão – que continha a singela inscrição “Diálogo” talhada nele. Bastante ilustrativo do nível da coisa.)

Os anos passaram, a direita continuou ocupando quase que majoritariamente as ruas, o golpe se operou e desde a presidência ingrata de Michel Temer o Brasil tem se projetado no mundo como o “país do futuro medieval”. A tal PEC 241/16 do Teto de Gastos que impôs ao orçamento federal o congelamento de gastos em áreas tão essenciais como saúde, educação e programas sociais durante 20 anos literalmente fez o Brasil dar um salto para o passado. E com a eleição de Bolsonaro a coisa, que já era bem ruim, convenhamos, tornou-se ainda muito pior.

A obsessão do presidente e de setores entre os seus seguidores com cavaleiros templários, Opus Dei e a influência do tal movimento do Tradicionalismo (assim mesmo com ‘T’ maiúsculo’) do qual são expoentes pessoas da laia do Steve Bannon (um dos responsáveis pela eleição de Trump em 2016 nos EUA) e Aleksandr Dugin, conselheiro do presidente-tirano russo Wladimir Putin, apenas abre uma fenda pela qual emergem todos os velhos fantasmas da política em uma terra que nunca velou propriamente os mortos de seus massacres, guerras civis cotidianas, as vítimas da ditadura e que continua a não elaborar o luto pelos mortos escalantes do Coronavírus. Injustiças com as quais a única justificação ecoante – seja nos lábios de Bolsonaro, de seus filhos, de seu escalão de ministros ou do seu vice-Presidente General Hamilton Mourão – é essa elaboradíssima fala consoladora: “era tudo bandido”. Simples assim.

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Sem 'percalços' no contrato com governo, país teria sido primeiro a  vacinar, diz Dimas Covas à CPI | Política | G1
Fonte: G1 (Reprodução)



Desde o começo da pandemia, enquanto os números ainda não tinham essa expressividade tão mórbida e quase nada sabíamos da doença, ele vem minimizando o surto e contando a história da conspiração chinesa.

E diante de todas as possibilidades de negociatas com a Pfizer, com o Instituto Butantã e demais centros de desenvolvimento de pesquisa para a vacina, e mesmo a comercialização dos insumos para a produção das mesmas por meio do governo chinês, Bolsonaro e seus ministros simplesmente fizeram-se de cegos, surdos e loucos!

Seu filho Zero Três, o ex-“Mimiministru da Iducassaum” Abraham Weintraub e o ex-chanceler “Nazismo é de esquerda” Ernesto Araújo espalharam fake news, conspirações e xingamentos a um dos maiores parceiros comerciais do país criando imbróglios diplomáticos que mais pareciam birras de jardim de infância.

Enquanto isso, a meta é também enxugar o Estado seguindo a lógica anarcocapitalista neoliberal e necropolítica de Bolsonaro-Paulo Guedes, que não apenas tenta traficar por meio da compra de congressistas e decretos as reformas privatistas, mas, sobretudo transformar a máquina estatal em apêndice e prótese de suas próprias empresas por meio das licitações e dos favorecimentos contratuais, de modo a aprofundar ainda mais o patrimonialismo que guia a franquia Bolsonaro de Poder Miliciano. Transformando o Palácio do Planalto num puxadinho do Condomínio Vivendas da Barra e das empresas apoiadoras de suas campanhas.

Com o Estado desligando-se de suas responsabilidades de prover as vacinas e estruturar civilizadamente as condições de vida – e não apenas a mera sobrevivência – de sua população, por meio do fortalecimento e incremento das instituições privadas (até mesmo tentou-se fazer passar projetos nos quais a iniciativa privada poderia “comprar” vacinas e furar a fila, por assim dizer) a população se vê à míngua tendo que ou esperar chegar sua vez na fila ou se digladiar internamente para conseguir (se tiver sorte!) ao menos um das doses prometidas e disponibilizadas. Porque, claro, Bolsonaro e o Ministério da Saúde não compraram vacinas para todos!

Todo mundo vai morrer um dia”, “quer dizer que só se morre de Covid no Brasil?” e “Não sou coveiro!” é assim que Bolsonaro responde quando cobrado de suas devidas responsabilidades, rindo e zombando da cara de todos.

O pacote todo operado nada mais é do que as coordenadas desta guerra de que falei no início deste artigo.

 

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A morte é festa no Brasil de Bolsonaro
Fonte: Revista Cult (Reprodução)

 

Com a CPI do Covid-19 acontecendo e o derretimento cada vez mais acelerado de sua imagem como gestor público impossibilitando a sua reeleição, Bolsonaro está desesperado, acuado, esperneando e ameaçando dar um autogolpe e já “prevendo” que haverá fraude eleitoral em 2022, se ele não ganhar – e se não forem cédulas de papel! – que fique bem claro!

Suas tentativas de demonstração de apoio cada vez mais bizarras, aparecendo andando a cavalo ou fazendo “motociata” sem máscara em plena pandemia, convocando até o seu fiel ex-Ministro Eduardo Pazuello, logo após ter deposto na CPI, para juntar-se a ele para tentar minimizar os efeitos do desastre e continuar espalhando o vírus e a desinformação estão levando ainda a maiores contaminações e ao colapso nos hospitais. Uma vulgar demonstração de poder e adesão que tem ajudado o país a cavar a própria cova.

Enquanto isso, na Colômbia recentemente ou mesmo no Chile, Bolívia e outros lugares, a população já tem demonstrando nas ruas que acordou para a mentira e a falência do modelo neoliberal e que “se um povo tá indo às ruas em plena pandemia para protestar, é porque o governo é muito pior do que o vírus!”.

E é exatamente ESTA a lição que precisamos aprender com a solidariedade latinoamericana. Eles querem nos convencer de que já perdemos. Que não temos mais nenhuma chance, que “tá tudo dominado”. É preciso ou ser muito ingênuo ou muito otário para se acreditar em quaisquer palavras ou intenções desses sacripantas. E sim, um povo estupificado por seus governantes, sem auxílio digno, atirado aos leões da miséria e ao desespero do dia-a-dia, é um povo que morre calado.

Daniela Abade on Twitter: "EUA foram pra rua. Bolívia, Chile, Paraguai,  Peru, Colombia. Portugal e Argentina foram para as ruas PELO BRASIL E  CONTRA BOLSONARO. E a gente vai ficar em casa
Cartaz de um manifestante colombiano em Maio de 2021


Afinal, o que mais ainda podemos esperar perder? Mesmo nossa saúde mental esses canalhas têm usado para alfinetar seus dentes e arrotar alto em jantares, viagens e privilégios que todos nós temos pagado. Até agora.

Não podemos ceder sequer mais um centímetro, um mílimetrozinho que seja, a mais para o avanço e a normalização e transformação em rotina destes abusos que estamos sofrendo. Eles nunca quiseram salvar as vidas, o plano sempre foi o morticínio geral. Bolsonaro sequer escondeu isso – e como que viemos parar neste pesadelo no qual todo dia a coisa só não é a mesma porque vai piorando mais?

Então amanhã temos uma IMENSA oportunidade de irmos às ruas gritar contra o genocídio, a estupidificação desta guerra cultural e a inoperância de gestores que são apaixonados pelo poder e quer que seu povo continue se sacrificando para que a realidade se transforme numa soma de infernos em que cada dia é ainda mais exasperante e desesperador do que o anterior.

Não somos nós que temos que ter medo. Não somos nós que temos que ficar ansiosos e angustiados sem nem conseguir fechar nossos olhos e sonharmos com algo mais doce e alegre. São eles que devem ter medo de nós e não conseguir mais dormir à noite!

Levante-se! Resista!

E não se esqueça de levar as máscaras adequadas para a proteção, álcool em gel e manter o distanciamento social mínimo durante a marcha.



Ass.: IkaRo MaxX
poeta insubmisso


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Seja em que parte do país você estiver, conheça aqui os locais onde acontecerão essa grande e importante manifestação.

 


Agradecemos ao Canal Meteoro Brasil por esses vídeos mais do que instrutivos: necessários!

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