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Obra “O Herói” da verdadeira heroína, Anna Maria Maiolino

Anna Maria Maiolino nasceu na Calábria, Itália, em 1942, e quando pequena viveu a tensão da segunda guerra mundial.  Nesta época ela migra com a família para a Venezuela, para fugir do fascismo, e depois, em 1960, vem para o Rio de janeiro. Com certeza é uma das mais importantes e fundamentais artistas da história brasileira.

DIRETO PARA A OBRA:

Primeira versão da obra, feita em 1966.

A primeira aparição da obra foi em uma exposição chamada “A nova subjetividade brasileira” em 1967. Anna Maria não tem certeza desta data, pois faz muito tempo, e sugere que talvez a primeira aparição tenha sido mesmo em 1968, no museu de arte moderna do Rio De Janeiro.

Você deve estar se fazendo a pergunta: Como uma obra desse calibre foi exposta em um museu brasileiro no auge da ditadura militar? Pois bem, ela mesma diz que os militares não eram bons em entender as metáforas, rs. É isso o que torna esse acontecimento uma performance daquelas.

Em entrevista para o canal do Masp, Museu de Arte de São Paulo Assis Chateubriand, ela diz o seguinte:

A obra “Herói” foi concebida por mim intuitivamente, seu sentido é ambíguo, trágico e irônico. O personagem em lugar da face mostra uma caveira, símbolo da morte. Na cabeça um capacete militar, e o peito coberto de medalhas, símbolo do valor.

A simbologia do herói fomenta a ironia, já que eles, os heróis, ocupam o lugar valorizado entre os indivíduos por serem mecanismo de importante realizações da história. Todavia o homem heroico a um certo ponto perece e é levado à ruina pelo seu próprio sucesso, e em muitos casos acaba sendo morto depois de ter ocasionado muitas mortes.

Grande parte da população aplaudia, apoiava e considerava heróis aqueles militares, apesar do estado de repressão a que o Brasil estava submetido.

Eu sempre me perguntava – onde estavam os princípios morais e éticos daqueles militares para a solução das situações críticas em curso?

Mesmo eu sendo muito jovem eu percebia que a arte poderia ir além do espaço poético e ser exercício político, agir como ferramenta para resistir a arbitrariedade. O artista coloca a questão politica a si mesmo por instinto e por vocação, longe e acima de qualquer mercado, e vive a sua arte como meio para reverter e reparar as repressões. Certamente toda obra de arte permanece viva no tempo porque está sujeita a novas interpretações e estudo por parte do público.”

Ela diz também que a obra foi destruída, e em 1994 teve que colocá-la no lixo, por medo de contaminar outras obras. Mas, em 2000, Anna Maria Maiolino decidiu reviver a criação, pois achava que ela era um documento histórico muito valoroso. Pois bem, a recriação foi feita e doada ao Masp, Museu de Arte de São Paulo Assis Chateubriand, onde se encontra até hoje.

Recriação da obra, feita em 2000, já no MASP.

Anna Maria Maiolino é a verdadeira heroína, junto com outros artistas da época, que tinham coragem de enfrentar a ditadura através de provocações diversas. Ela não era sequer remunerada pra isso. Na época a arte não tinha mercado e Anna tinha que buscar outras formas para se sustentar.

Não quero perder tempo aqui dizendo o porque desta obra ter sido escolhida para esse post, penso que tudo esteja bem claro. Qualquer aprofundamento filosófico linkando a obra ao momento atual pode comprometer a subjetividade desta matéria, fazendo-a desconversar com a obra de Anna Maria.

Anna Maria Maiolino nasceu em Scalea, na Itália, em 1942 e é gravadora, pintora, escultora, artista multimídia e desenhista. Estudou na Escuela de Artes Plásticas Cristóbal Rojas entre 1958 e 1960, ano em que transferiu-se para o Brasil. Em 1961, iniciou curso de gravura em madeira na Escola Nacional de Belas Artes (Enba), no Rio de Janeiro, e integrou- se à Nova Figuração, movimento de reação à abstração e tomada de posição frente ao momento político brasileiro.
Entre as exposições das quais participou estão as individuais na Galeria G. (1965), em Caracas, na Venezuela e “Em tudo – todo” (2019), na Galeria Luisa Strina, em São Paulo; e as coletivas
“II Salón de Jóvenes Pintores” (Caracas, Venezuela, 1958) e “Os anos em que vivemos em perigo”, no MAM (São Paulo, 2019).

Suas obras integram importantes acervos como o do Museu de Arte Moderna (MAM Rio), no Rio de Janeiro; da Pinacoteca do Estado de São Paulo; da Fundação Cisneros, em Nova York; e do Centro Galego de Arte Contemporânea, em Santiago de Compostela, na Espanha.

Anna Maria Maiolino Making Love Revolutionary review | London Evening Standard | Evening Standard

 

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