(83) 8692-5991 / (11) 9.9906-0896 — [email protected]

O Desfile da Impotência

A exibição com sucataria de guerra envergonha até as próprias instituições militares

 

O patriotismo é o último refúgio do canalha” – a famosa frase do escritor e pensador inglês Samuel Johnson foi escrita em pleno século XVIII. (Em pesquisa descobri que Johnson teria pronunciado essa frase ao seu pupilo James Boswell numa tarde de 7 de abril de 1775 – o que torna tudo ainda mais enigmático e fascinante para mim, criatura nascida num 7 de abril de 1985.) 

Para a nossa época, mesmo uma afirmação datada parece não ter efeito de dado histórico. Isso pelo simples fato de estarmos involuntariamente engolfados num processo acelerado de regressão que faz com que mesmo teses já derrubadas científica e historicamente pela ascensão – e queda? – da Idade das Luzes voltam a ocupar os espaços de interpretação da realidade e da produção de conhecimento.
TOP 25 QUOTES BY JAMES BOSWELL (of 80) | A-Z Quotes

O terraplanismo não é apenas um fenômeno da ocupação massiva de idiotas que tentam suplantar a produção criativa de ideias e a abertura societária para experiências livres e inclusivas, mas é sobretudo um fenômeno cognitivo e moral que sufoca a construção cultural e política da biodiversidade de uma população. 

Obrigados a tentar defender o terreno antes assegurado, agora somos desafiados a termos ainda um chão onde permanecermos. É como se, já homens e mulheres devidamente e morfologicamente formados, tivéssemos que defendermos o direito e garantia primitiva de termos sido as amebas e organismo unicelulares que um dia já fomos.

Em todos os lugares encontramos os ares de terra arrasada e escutamos o incômodo barulho dos coturnos das milícias e das patrulhas de vigilância medieva a caminho da imposição da completa destruição. Não há um dia em que a infelicidade não exploda em cada esquina desta realidade e famílias inteiras, famintas e desalojadas, mal tenham a esperança de aderir e perseverar no presente. Não há momento em que nos espaços antes progressivos nos vemos cada vez mais inflados e acirrados entre ideias e debates requentados e comprometidos com um passado “mítico”.  

O antagonismo plantado no coração de pedra do país está acirrando uma disputa intransigente e cega pela permanência no poder. A preferência antifilosófica pela violência e pelo acinte está tomando o lugar do debate democrático e envenenando a própria faculdade da comunicação..

 

                                                                  *

 

O fato é: Bolsonaro está morrendo de medo. E o seu medo está levando-o a tornar-se cada vez mais irracional e autoritário na guerra cultural, política e “moral” que está levando ao centro do poder no Brasil.

Como nunca foi afeito à democracia – mas, como quase todo ditador moderno, só chegou ao posto de poder em que chegou por meio dela, ou de um simulacro de tal regime, é claro – ameaça de forma cada vez mais aberta, contundente e espúria a mesma e procura desestabilizar suas instituições.

Em seu famoso cercadinho, logo após as revelações cada vez mais bombásticas – no fundo já sabida por todos – de seu envolvimento como chefe de quadrilha nos esquemas de “rachadinhas” praticadas por ele e seus filhos dentro da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, do esquema com funcionários fantasmas empregando familiares dele, de amigos, ex-esposas e gente das milícias carioca, das provas do genocídio programado sob a forma da busca da “imunização de rebanho” durante a pandemia, da prevaricação quanto a contratos fraudulentos de compras de vacinas duvidosas e de disputas de grupos de militares e do centrão pelo desvio de verba da saúde em forma de propinas e compras superfaturadas de medicamentos ineficazes, Bolsonaro ironiza com seus seguidores cegos: “eles vão mandar quem aqui pra fazer uma busca no Palácio do Planalto? A P.F? O exército?

Bolsonaro esteve em uma aglomeração por dia durante a pandemia | Paraíba Já

Seu sorrisinho indisfarçável e soberbo demonstra o nível do aparelhamento do Estado e do entranhamento de seus milicianos fiéis em posições estratégicas de controle dos aparatos institucionais de investigação e policiamento, do quanto ele confunde o seu governo momentâneo e a disponibilidade institucional oferecida pela sociedade para exercício do cargo mandatário de presidente durante quatro anos com propriedade privada e patrimônio pessoal.  

Não é à toa que os termos “meu Exército”, “meu país”, etc, não saiam de seus “discursos”, que são muito mais cacoetes desarticulados do que construções lógico-semânticas legítimas dentro do português bem pronunciado. 

Bolsonaro nunca governou para o país e seu povo – aliás, ele nunca “governou” um dia sequer desde que atravessou a rampa do Palácio do Planalto no dia 1º de janeiro de 2019 para receber a faixa presidencial contaminada por um golpista. Naquele momento o vírus do golpe, que já não era mais um segredo de estado, foi transmitido do traidor para o autoritário e o medievalismo já iniciado em Temer tem seu aprofundamento apocalíptico com Bolsonaro, cada dia a mais como um dia a menos de vida e futuro retirado de todos nós.

Já o dissemos antes por aqui – a cova rasa de antes se tornou uma cova profunda que está engolindo as pessoas como o desastre que está ocorrendo em alguns bairros de Maceió e foi operado pela ganância de empresas como a Braskem. Milhares de pessoas sendo obrigadas a abandonar seus imóveis porque a realidade está literalmente afundando, caindo aos pedaços.

 


*

Vamos repetir mais uma vez: o “valentão”, o “Johnny Bravo” que poderia ser abreviado como Jair Bronheiro, está se cagando de medo. Aliás, se cagar seria ainda uma bondade… – talvez o Flávio da rachadinha, seu filho Zero Um, pudesse ser coach de se cagar em meio a um debate, por exemplo.

Ele força a barra para levar o Brasil de volta à idade da pedra, muito embora ele mesmo usufrua das benfeitorias tecnológicas e digitais sem o menor pudor ou vergonha na cara: passa muito mais tempo batendo boca com desafetos no Twitter do que cumprindo agenda de reuniões, visitas e efetivamente resolvendo os problemas do país. Espalha mais fake news por suas redes e mídias do que incentiva o debate e a busca científica por soluções adequadas aliado a pessoas responsáveis e aptas a resolvê-los. Implanta a desconfiança generalizada em todas as instituições e mobiliza a psique dos adeptos das conspirações com suas táticas de guerra midiática e polarização política. Alia-se a trambiqueiros, malandros e escroques confiando em suas palavras e promessas do que procura escutar especialistas renomados e pesquisadores sérios.
 

(E uma das provas mais atuais é como tem retirado o incentivo às pesquisas nas universidades públicas e, com um Ministro da Educação ferrenhamente religioso e neoliberal aliado do ensino privado, tem colocado ainda mais a educação como “mercadoria” e não como direito humano básico, alegando que educação superior não deveria ser “para todos”, mas ser sim privilégio de classe.)


A tática dos defensores do indefensável tem sido o contínuo
rebranding das práticas anti-republicanas: ao invés de propina, comissão; em vez de intimidação, entrega de convite para manobras militares feita com desfiles na rua de tanques e carros blindados. Um verdadeiro espetáculo de atrocidades, gastos exacerbados ridículos e irresponsáveis e a tosca exibição de um vigor flácido. O que serve tanto para simular uma virtude inexistente quanto para dissimular suas intenções escusas. 

 

Um vigor tão fake quanto o próprio “Chefe das Forças Armadas” com seus “pescoções”, bravatas e “caguei” que mal disfarçam o seu problema dispéptico e sua incapacidade de cagar adequadamente.

Bolsonaro é retratado na Charlie Hebdo fazendo cocô no Brasil

Bolsonaro age cada vez mais como uma criança birrenta (quem lembra do episódio do “minha planta vai ficar maior do que a do Lula”?) e as instituições andam melindrosas ao evitarem imputar-lhe as devidas responsabilidades por suas atitudes autoritárias que cada vez mais esticam a corda da tolerância criando a situação do rompimento do tecido democrático social. O barulho e o caos que faz mal disfarça sua inoperância como gestor, sua incapacidade de administrador da coisa pública. 

E os milicos nisso tudo? 

Empanturrados de leite condensado, vinhos importados, queijos comprados no superfaturado cartão corporativo e mantendo o alto padrão de vida de suas filhas solteironas, após a merda vindo toda à tona atolando-lhes ao pescoço com a descoberta dos esquemas de propinas, medicamentos ineficazes e o escândalo da falta de oxigênio no caso dos respiradores de Manaus envolvendo oficiais de alta patente  – na ativa e fora dela, do General da logística que foi parar no Ministério da Saúde, Eduardo Pazuello ao novo Ministro da Defesa, o cão autoritário Walter Braga Neto que inclusive ameaçou o presidente da CPI da Pandemia com uma nota de repúdio – estão se sentindo expostos até os ossos. E estão claramente nervosos com isso. 

 

 

Lembremos que os três comandantes anteriores das forças armadas pediram demissão e entregaram seus cargos a Bolsonaro porque, após insistentes pressões de Genocida para que eles se manifestassem inquestionavelmente a favor das posições controversas e antirepublicanas do presidente, se recusaram a aderir à aventura golpista em curso. Ao menos foi o que eles disseram.

O dia 10 de agosto de 2021 não seria mais um típico dia pacífico onde não existe pecado, na linha abaixo do Equador. 

Aliás, dias pacíficos aqui parecem até o sonho distante de uma criança descontaminada das exigências, controles e pressões da vida adulta. Comparei o “presidente” – num lapso assertivo quase que digito presidiário, o que, queremos acreditar, seja uma previsão do futuro se realmente existir alguma justiça em alguma parte deste mundo… – a uma criança? Que monstruosidade insensível! 

 

(Queria mesmo era dizer que Bolsonaro sequer chega perto do esboço de uma caricatura humana rasurada por um infante de três meses. E que as crianças são criaturinhas perfeitas, amáveis e empáticas. Por exemplo, a minha filha – quando mal tinha quatro anos – chorava quando via um pedaço de carne servida no almoço ou na janta e me fez ter crises de consciência enquanto comia aquelas paneladas de macarrão com carne moída que fazia aos domingos. Bolsonaro só possui empatia por sua própria conta bancária e só defende os filhos porque no fundo da linha quem tá na reta é o seu próprio rabo.)  

Na ordem do dia 10 de agosto estavam em pauta no congresso tanto a tal Emenda Constitucional do Voto Impresso (o terraplanismo cognitivo que falei antes, lembram?) e a polêmica MP 1.045 a respeito de uma reforma nas leis trabalhistas, precarizando ainda mais o mercado de empregos e a segurança do trabalho no Brasil. 

Rir para não chorar: 11 memes para os 100 dias do governo Bolsonaro -  CartaCapital

Durante várias semanas o Excrementíssimo Genocida tem alimentado a desconfiança nas urnas eletrônicas e no pleito como o todo, disse que apresentaria a prova da “fraude” nas eleições de 2018 em uma “Live” e não o fez e disse que não tinha “provas”, mas “convicções”… E propagado que “só haverá eleições no Brasil em 2022 se a votação for em cédula de papel” – a forma na qual é mais fácil corromper, contestar e manipular os resultados, é claro. Nas comunidades carentes então, em que o voto de cabresto não é uma narrativa, mas uma realidade de fato, nas quais milícias dominam e controlam os mínimos aspectos da sobrevivência seria a forma de manter uma base fidelizada pelo medo e pelo silêncio. 

A tal Emenda Constitucional do Voto Impresso – mais uma manobra diversionista do bolsonarismo para criar tumulto e uma nova cortina de fumaça para encobrir sua falta de governo e seu crescente envolvimento com crimes, seus, de sua família e de seus aliados e amigos íntimos – que já havia perdido na apreciação por uma comissão formada para tal acabou sendo levada à votação pelo Congresso Nacional na noite de ontem.

Como suportar o retrocesso? O assunto voto impresso fez surgir alguns memes  que circulam nas redes | Lu Lacerda | iG

Zanfa on Twitter: "Se o cara não ganha vai ser aquele chororô de fraude e  teorias da conspiração. Se ele ganha, o mimimi sobre voto impresso e urna  fraudadas fica como? Via

Numa votação apertada de 229 a 218  a PEC 135/19 do Voto Impresso foi arquivada pelo presidente da Câmara Arthur Lira – que, aliás, só trouxe a votação para o plenário da Câmara para tentar apaziguar ao “presidente” da República. 

Ao saber que o presidente teria convocado um desfile de blindados das Forças Armadas, Lira teria dito que era apenas uma “trágica coincidência” ao invés de reconhecer o retrato óbvio da ameaça golpista e da decadência do modelo de poder misógino e autoritário, anarcocapitalista e sanguinário, movido como máquina de guerra e propaganda por Bolsonaro e seu clã.   

Os limites entre o ridículo, o trágico e o perigoso nunca estiveram tão borrados como no Brasil contemporâneo. O que deveria mirar em algo tenebroso à 1984 do escritor George Orwell acabou acertando mais um filme ruim dos Trapalhões com o Sargento Pincel ou uma imitação do Marcelo Adnet.

Em sua sátira distópica hiper-realista BozzonarUbu, Hellgina Noart, já no primeiro ato e na primeira cena representa o então aspirante a Presidente-Rei “sonhando” em conversa com sua esposa Micheque a respeito de “passear de tanque pelas ruas”. A reação de BozzonarUbu é, com os olhos brilhando e empolgado como uma criança, fazer “sacrifícios e homenagens práticas ao coronel Carlos Dalberto Ofuscante Ostra” com “fontes banhadas a sangue de comunistas!”. 

 

Embora ele mesmo não tenha passeado em cima de um dos  tanques, o miserável espetáculo da ameaça de golpe foi ensaiada a olhos vistos. E para entregar-lhe um “convite” para manobras militares a serem realizadas em Formosa (GO), convite que poderia ter sido enviado por e-mail ou mesmo carta, se o Presidente não confia nesses “meios digitais”. O que é uma acre hipocrisia, como já sabemos. 

Enquanto isso acontecia no Senado acontecia a CPI da pandemia com a presença de um militar que está por trás do Instituto Força Brasil, negacionista e patrocionadora de desinformação e fake news contra a vacina, o distanciamento social e a favor do bolsonarismo. E a responsabilidade pelo morticínio de pelo menos 300 mil pessoas está ligado a ausência de um plano baseado na ciência e seguindo diretrizes da Organização Mundial da Saúde e à corrupção oportuna ligada a esquemas ilícitos da vacina em que Bolsonaro se não estava de alguma forma envolvido de modo direto permitiu que acontecesse e chegasse a tal ponto. Sim, o presidente é um genocida, no sentido mais vil da palavra.   

Cada vez mais acuado, com sua popularidade desmanchando a olhos vistos, Bolsonazi vem tentando “demonstrar” sua força e penetração nas massas por meio do achincalhamento das instituições (inclusive indicando que um dos ministro do STF seja “pedófilo” e xingando a mãe do mesmo), numa série de motociatas financiadas com dinheiro público, pactos milionários com o Centrão que agora já partilha de mais cargos importantes no governo e com a vexatória demonstração de “potência” militar que faria um idoso viciado em viagra gargalhar. O pau do Deputado Cajuru com certeza tem muito mais vigor e potência do que toda aquela velharia fumacenta que fez aquele jogo de cena ridículo para tentar intimidar a democracia e a república. É uma prótese funcional, a de Bolsonaro sequer endurece e só consegue foder o povo brasileiro para seu desprazer.

Não tem viagra capaz de salvar do definhamento essa capacidade insana para a prepotência maligna que o bolsonarismo hasteia como uma bandeira sem limite e nem a popularidade em queda do Mini-Mussolini. Esse mesmo que fez foto inclusive com neta de nazista com a qual nem o partido de extrema direita alemão dialoga mais. 

Já foram tantas bandeiras vermelhas e tramas para dar o autogolpe – inclusive com o desejo já expresso antes por Bolsonaro de levar aviões da FAB a fazer demonstrações sônicas próximas ao prédio do Supremo Tribunal Federal com o objetivo de quebrar as vidraças do prédio e “assustar” os ministros… – que o próprio juiz Luiz Fux, presidente do STF, já demonstrou que não deseja e não possui mais chances de tentar conversar com Bolsonaro junto aos outros chefes dos poderes.

E agora parece que Augusto Aras, Procurador Geral União, que estava fazendo vistas grossas aos crimes de Bolsonaro, pode estar começando a perceber que o seu cargo sonhado no Supremo Tribunal Federal pode não chegar a se concretizar, e num regime desejado por Bolsonaro, então, seria o mesmo que ser nada mais que puro fantoche. 

 

*

 

E quanto ao desfile? Tanques e maquinaria velha, fumacenta, sucatas leprosas tossindo como um desfile de idosos abandonados num asilo ou num ferro-velho. Nas redes bolsonaristas – um grande sucesso! Uma demonstração de força, heroísmo, “patriotismo”. 

Com desfile militar, Bolsonaro só mostrou a potência do meme nacional -  11/08/2021 - UOL TAB
Desfile de tanques das Forças Armadas vira meme nas redes sociais - Toda  Bahia

Tanque' dos anos 1970 e blindados da Guerra do Vietnã: o que foi exibido no  desfile da Marinha para Bolsonaro - Forças Terrestres - ForTe

Micareta dos cacarecos: Desfile das Forças Armadas é um vexame e vira piada  nas redes; veja vídeos e fotos | Revista Fórum

 

Na realidade, mais minguado do que deserto. Um pobre vendedor de bandeiras do Brasil teve que voltar para casa com todas as suas mercadorias.

Mas, dentro dessa piada, um acontecimento chamou a atenção!

Olê olê olê, olá… Lula! Lula!“, era essa a melodia tocada por Fabiano Trompetista (às vezes creditado como TromPetista). A reação não foi amistosa – policiais e militares partiram para cima dele e levaram-no em detenção durante o desfile. 

Trompetista Fabiano Leitão é preso durante o desfile militar - Brasil 247

Um claro sinal do que realmente assusta os milicos e os bolsonaristas. Lula, que nunca na vida foi comunista, no máximo um liberal da socialdemocracia com certa visão de esquerda que busca o pacto social com o patronato e não o fim do capitalismo, é visto por eles como uma espécie de bicho-papão comunista. 

E é justamente pela instituição militar desprezar a democracia e olhar com desconfiança para o corpo civil – e ter aversão profunda aos avanços e aos programas sociais que mudaram a situação da população, principalmente os extratos dos extraviados, dos pobres e dos descendentes de escravos, nos anos de governo da “esquerda” – e para não “perderem a mamata” que Bolsonaro lhes deu de mão beijada que eles não querem permitir que as eleições – nas quais todas as estimativas projetadas mostram que Bolsonaro perde seja em qualquer cenário e adversário que for lhe enfrentar – aconteçam normalmente em 2022.

*

 

Nas redes é claro que a “mitada” do Bozzo não passou em nada despercebida e até a mídia internacional ironizou os acontecimentos. O inglês The Guardian citou como os críticos o qualificaram como “desfile de República de Bananas” (murchas, por sinal) e fez chacota dos apoiadores do presidente que utilizaram uma foto fake do evento: a imagem de um desfile de tanques de guerra na China. Teve gente que chamou de “milicareta” e até quem ande dizendo que o governo Bolsonaro matou a metáfora e literaliza tudo – seja por afirmação, seja por negação.  


Maior jornal inglês trata Brasil como 'Banana Republic' após desfile  militar golpista de Bolsonaro ~ Diário Online Brasil

Em 93% das postagens feitas na internet, agora no Brasil, foram feitas chacotas à desprezível manifestação vulgar de impotência mostrada pelo Presidente e seus aliados militares. O próprio Marcelo D2, ex-vocalista do Planet Hemp, disse que “não tinha nada a ver com aquilo”. Outros internautas lembraram dos carros de fumacê contra o mosquito da dengue enquanto outros memes variaram entre tanques broxas, memes com imagens de Bolsonaro fazendo parte do programa Dedé e o Comando Maluco, a carros blindados vendendo pamonha. A safra memística brasileira nunca foi tão favorável e renovada, ao contrário dos equipamentos de manobra do exército.

A Folha de São Paulo, que na época do segundo turno das eleições publicou um editorial com a fotos dos dois concorrentes ao pleito sob o título de “uma escolha difícil”, agora é que “acorda” para o “ensaio de ditador” que ajudaram a permitir ser eleito.

Uma coisa é o antipetismo e a lógica da variação saudável de poder. A outra é, em nome dessas duas coisas, empurrar o país para o colo da barbárie e do fascismo.

Já conhecemos o ditado popular de que “cachorro desdentado late mais alto”, mas não é por isso que não devemos continuar tolerando esses “latidos” ou transformando simplesmente tudo o que ele faz em “zuera”: até porque ele continua com a máquina estatal em mãos e as pessoas continuam morrendo e já nos aproximamos da cifra de 600 mil mortos, muito embora a curva esteja um tanto mais controlada pelo contínuo avanço da vacinação.

Parece que agora a imprensa “oficial” tá acordando. Será que ela vai atiçar a população pela cabeça do Ditador? Não há o que se esperar dos mídias. 

A população vai ter que fazer o trabalho com suas próprias mãos. Não se deve mais confiar em “heróis da pátria”. É bom enterrar de uma vez esses mitos que alienam a população da construção ativa – e participação coletiva – de seu próprio destino.

Até lá teremos que lidar – não sem o merecido nojo – com esse idoso criminoso e sociopata contagioso com crise de virilidade incapaz de aceitar os mandamentos da natureza e de se ajustar à justiça tanto divina quanto dos próprios homens e mulheres vivos da história. 

Teremos que nos confrontar com esse que é um mal perdedor, que já anuncia “fraude” antes mesmo do resultado das eleições de 2022. E que pretende, como Trump ao perder as eleições no tal episódio da invasão do Capitólio, não pretender passar a faixa presidencial para ninguém mais.

E que deseja mobilizar um punhado de fascistóides e desinformados raivosos para destruir o que ainda nos sobrar de democracia. 

 


Gostou deste conteúdo? Curta, comente e compartilhe – ajude-nos a quebrar as malfadadas muralhas da comunicação com a limitação do algoritmo. Precisamos de sua solidariedade para levar essa mensagem a mais gente.

Você pode conhecer nossos livros e adquiri-los nossa Loja e ajudar a fortalecer nossa editora, nosso blog e nossas propostas independentes. Chega junto!

Aproveita e segue também nosso perfil no Instagram.

Um grande beijo, bon voyage e até o próximo post!