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Henry Miller: Adormecido e Acordado (1975)

 

Poucas reputações literárias flutuaram tão dramaticamente quanto a de Henry Miller. Durante mais de trinta anos ele foi um herói para a sociedade liberal, pela maneira como escreveu sobre sua vida sexual em Trópico de Câncer, Primavera Negra e Trópico de Capricórnio, novelas autobiográficas escritas na década de 1930 em Paris, que foram proibidas nos Estados Unidos e na Inglaterra, até uma série de processos judiciais no início da década de 1960 permitiu sua publicação em ambos os países. Entretanto, após menos de dez anos de legitimidade e aclamação, sua reputação como um profeta da liberação sexual sofreu uma mudança.”

“Surgiu uma escola de crítica literária feminista analisando sua obra de um ponto de vista ideológico e declarando ser ele um misógino. O aparecimento da AIDS na década de 1980 e as subseqüentes campanhas da mídia destinadas a convencer o público dos perigos mortais da promiscuidade sexual lançaram sua reputação em outra violenta espiral descendente, e a publicação póstuma em 1983 de Opus Pistorum, uma coleção de histórias pornográficas pelas quais Miller sempre negou exaustivamente a responsabilidade, completou o processo. Parecia, acima de tudo, que ele havia sido todo o tempo um simples pornógrafo e vigarista que enganou toda uma instituição liberal que o encarou seriamente como um filósofo sexual. Tais acontecimentos entristeceram, mas não desiludiram, os mais leais leitores de Miller, aqueles que perceberam que esse enfoque no aspecto puramente sexual de suas escritos obscurecia seu papel muito mais importante como um investigador religioso do método não ortodoxo, que com sucesso concluiu a jornada proposta por William Blake ao longo da estrada do excesso para o palácio da Sabedoria.

O trecho destacado faz parte da introdução do livro Henry Miller – Uma Vida, de Robert Fergyson.

28 ideias de Henry Miller | escritores, henry miller, literatura americana
Escritores que amo: Henry Miller (Sétimo de uma série)


Henry Miller
(1891-1980), profeta da sensualidade, pornógrafo, gênio, maldito, lírico, egoísta, uma vida carregada de polêmica e adjetivos; um homem que cultivou a controvérsia como o combustível de uma vida longa e intensa. O escritor norte-americano já tinha 69 anos quando sua primeira grande obra-prima, Trópico de Câncer, foi publicada nos Estados Unidos, quase trinta anos depois de ter sido escrita quando Miller era um exilado em Paris.

Da noite para o dia, se viu transformado em homem rico e respeitável decano da literatura norte-americana. Muito antes disso, no entanto, ele já era reconhecido como autor de raro talento e originalidade entre os escritores de seu país, que liam suas obras em edições francesas contrabandeadas da Grã-Bretanha e a América, e aclamado como uma figura fundamental na luta pela liberdade literária e individual.

A luta sempre foi a tônica da vida de Miller. Nascido no multirracial Brooklyn do final do século, filho de um humilde alfaiate de origem alemã, desde cedo ele mostrou sinais de atitude descompromissada frente aos códigos sociais que marcaria sua literatura. Ao deixar a escola, Miller embarcou numa série de empregos e complexos relacionamentos sexuais que forneceram rica matéria-prima para suas novelas.

Neste pequeno média-metragem documental de 1975, Miller é retratado pelo cinegrafista Tom Schiller em uma viagem dentro de seu banheiro onde apresenta o curioso microcosmo de seus interesses em iconografias variadas e histórias curiosíssimas. As reflexões de Miller aqui apresentadas misturam com fluidez e espontaneidade algumas percepções e ideias místicas, filosóficas e religiosas com toques de humor e elevado senso de humanidade.  

Um desses vídeos que valem a pena ver e revisitar:

 

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