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5 poetas brasileiros contemporâneos

Vá logo se acostumando pois toda quinta-feira será dia de 5 poetas contemporâneos brasileiros aparecerem por aqui, e acredite, existem muitos deles espalhados por esse Brasil.

Se você não está muito por dentro do que acontece na cena poética do pais, pode relaxar, a provokeativa vai fazer questão de te mostrar tudo o que ela puder.

Este post foi pensado para agradar a todos: pessoas acostumadas com a poesia e pessoas que descobriram esse vício há pouco tempo. (ou quem sabe até descobrindo agora)

Quem já está acostumado sabe que a poesia quando começa a entorpecer é uma das melhores sensações possíveis, talvez “a mais fascinante orgia ao nosso alcance”

Ou seja, a provokeativa se compromete a te ajudar a sustentar esse teu vício delirante e libertador, ou a te viciar nisso, caso você seja do perfil que está na fase de descobrimento, rs.

Adoraremos traficar a beleza sublime da poesia até você.

Aproveita, clica no link de cada artista e siga-os no instagram, informe-se sobre os livros que eles escreveram e mande até uma mensagem, bem provável que eles te respondam.

Bom, vambora?


Luis Perdiz

A HORA DA PANTERA

I

o meu amor meu bêbado amor que ruge
na órbita tenaz de cabelos e orquídeas
no subterrâneo vicejante da floresta do tesão
o pantanal dos olhos trespassa a senha dos ciclones
desarma o fogo e o laser dos saguões cinéticos
e com seu batom negro devora o próximo planeta

II

o meu amor meu vertiginoso amor que salta
pelos viadutos abismos arvoredos farpas
dilacera o aro do tempo com patas atômicas
arranha verbos vorazes na espinha das almas
ressurge ofegante no sofá-cama escarlate
luzente entre gozo e caos


rita medusa

você precisa ser mais
que um esqueleto de nuvem
pra alcançar este jardim
esparso e reticente
habitado e revoltoso
fundo como a idéia de morte
suculento como um mar esfomeado

você precisa perder a cabeça
em segredo
emancipar os véus do vício
atirar granadas
no seu culto de auto – destruição
queimar os recortes de delícias escuras

até onde você iria
para ouvir sua primeira palavra?


Roberta Tostes Daniel

 

Uma longa vida de sossego e pressentimento
que desate o nó das horas
faça crer a vida inteira
o que se quer como último segundo.
O ar que deixa suas iscas
suga a juventude, o ar
numa delicadeza em óbice.
Sabedoria como aroma.
Fé pelos novelos.
E me empurra como gato
– mutatis mutandi.


raquel gaio

tenho a noite estilhaçada na jugular
e uma fome que não abandona seu canil.

esta carne permanentemente em queda.

há um pônei desidratado no peito
e uma puta carecendo de abrigo
sou a encarnação de quedas passadas
imploro por perdões e ossos melhores
mas não há céu que me ouça.

tento fotografar meus batimentos cardíacos
para emoldurá-los nas paredes de casa
mas antes mesmo do click
regurgito-os cheios de ontens intactos.

sujo as imagens para vislumbrar a queda.


leo chagas

Sombra de cacto, espinho-flor. A aurora dos dias infelizes,
o quente aroma
das noites que se vão.

Ao cair do sereno penso que serei eterno
mas só enquanto dure o fim dos tempos,
– o torpe, a enchente –
juras de amor apocalíptico,
enxame de sensações,
mas ao final
volto sempre a mim mesmo
em um lento despertar de consciência
como quem, ao chacoalhar da janela
acorda pra ver o céu cair
feito pétala ao vento.

 


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