(83) 8692-5991 / (11) 9.9906-0896 — [email protected]

5 poetas brasileiros contemporâneos #2

Vá logo se acostumando pois toda quinta-feira será dia de 5 poetas contemporâneos brasileiros aparecerem por aqui, e acredite, existem muitos deles espalhados por esse Brasil.

Aliás, quinta passada já rolou, cê chegou a ver? Se não, é só clicar aqui: 5 poetas brasileiros contemporâneos #1

Se você não está muito por dentro do que acontece na cena poética do país, pode relaxar, a provokeativa vai fazer questão de te mostrar tudo o que ela puder.

Este post foi pensado para agradar a todos: pessoas acostumadas com a poesia e pessoas que descobriram esse vício há pouco tempo (ou quem sabe até descobrindo agora).

Quem já está acostumado sabe que a poesia quando começa a entorpecer é uma das melhores sensações possíveis, talvez “a mais fascinante orgia ao nosso alcance”

Ou seja, a provokeativa se compromete a te ajudar a sustentar esse teu vício delirante e libertador, ou a te viciar nisso, caso você seja do perfil que está na fase de descobrimento, rs.

Adoraremos traficar a beleza sublime da poesia até você

Aproveita, clica no link de cada artista, siga-os e informe-se sobre os livros que eles escreveram e mande até uma mensagem, bem provável que eles te respondam.

Bom, vambora?


NITIREN QUEIROZ

Eu sou o judeu errante,
aborto de Sião
nos escombros da Babilônia.
Eu canto
em yorubá o shabat,
e brindo e bebo
com Exú:
Lehai!
sobre o cadáver
Lehai!
leio sinais de sangue
coagulado na terra.

Vejo a face triste
da Esfinge –
arcanjo guru
dos suicidas anônimos.
Blasfemo as ladainhas xôxas
dos habitantes
da ruína
das eras.

Na Lua Nova,
hazan, do mantra
silencioso de Kali.

Minha carne,
é verbo dissonante –
melodia de nervos
evocando a fúria dos antepassados
profanados nos campos de concentração
self-service
e a vida fodida
de seus transeuntes de pedra.


BETH BRAIT ALVIM

A FEBRE E A MARIPOSA 1

el dios mariposa me abraça
me enlaça de púrpura e suga
lento o sangue e o sal do que
invento

A FEBRE E A MARIPOSA 2

mariposas me atordoam
uivam nos meus pensamentos
penetram ardentes
nas dobras do
tempo

A FEBRE E A MARIPOSA 3

o desejo de todas as terras
me abraça e me suga violento
me enlouquece pelo que sinto
me liberta pelo que
invento

CREPUSCULAR

banha os olhos com mel e a língua com água benta
aquieta tua alma
e estranha
ralenta a respiração e acompanha

de onde estiver
o sol morrendo


MARIANA VARELA

Cadela no cio
braseiro gemido
saliva intranquila.

Numa velha cadeia
uma fogueira acesa
e a amarga dentição das bandeiras.

Muda o sentido das coisas, muda
muda o sentido do vento!

Transforma-se o signo vivente
em símbolo vivido.

Fera, a violência dos olhos
é um tigre adormecido.

Mas corre veneno na palavra escrita:
o antídoto da cobra
contra o tigre antigo.


AUGUSTO GUIMARAENS CAVALCANTI

“Veste teu manto de loucura e sai pela noite. Sai pela noite porque tudo é tão misterioso.
Que todas tuas ilusões perdidas são só algum brilho desvairado. Ri do teu próprio ser atropelado, mas que a noite é tua.
A barba que te cerra o rosto é o destino vestido dentro de cada olhar. Como uma estrela desgovernada.
Teus medos, tua parafernália de exageros. Que a noite é tua loucura, tuas utopias despedaçadas.
De claridades noturnas você sai por aí como um lobo atrás da caça. Teus segredos se desfazem mas tudo permanece em aberto.
E você nem nota que a sarjeta é tua liturgia, bela pulsação de delírios. Tira estas roupas que incomodam tua existência e anda com teus pés descalços.
Que tudo que sobrou foi uma música tocando baixinha, uma música que talvez nem exista mais. Pisa de leve sobre tais ruínas.
Quem sabe assim pelo menos a noite possa parar de morrer. coloca tua máscara, anda com tua classe de príncipe sobre teu reino depredado.
Tira este relógio da parede, utiliza teu relógio imaginário. Recolhe tuas migalhas, veste tua capa de abismo.
Veste teu manto de loucura e sai pela noite.
E quem sabe desse jeito um dia a noite possa parar de morrer.”


BETA(M)XREIS

Poção mágica

eis isso tudo aqui na mão e posso
fritar uns morangos temperados no sal e limão
posso
erguer um davi
com cabeça de astronauta e posso
iniciar num xaxado e passar
por um industrial e emendar
numa cumbia e pular pra
ópera chinesa
e até mesmo
criar um aparato
que fabricasse chocolates
em forma de rato
posso até derrubar o presidente
posso louvar outros jeitos de amar
posso lhes dar libélulas gigantes
eis tudo aqui na mão
e posso

pode beber, se der sede


Gostou deste conteúdo? Curta, comente e compartilhe – ajude-nos a quebrar as malfadadas muralhas da comunicação com a limitação do algoritmo. Precisamos de sua solidariedade para levar essa mensagem a mais gente.

Você pode conhecer nossos livros e adquiri-los nossa Loja e ajudar a fortalecer nossa editora, nosso blog e nossas propostas independentes. Chega junto!

Aproveita e segue também nosso perfil no Instagram.

Um grande beijo, bon voyage e até o próximo post!