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“Um Canto de Amor” (1950) de Jean Genet

Jean Genet (Paris, 19 de dezembro 1910 – 15 de abril de 1986)  foi um desses casos em que a arte literalmente resgatou uma vida e o tornou alguém.

Filho de uma prostituta com um pai desconhecido foi posto em lares de adoção aos sete meses de vida. Apesar de ter sido adotado por uma família amorosa encabeçada por carpinteiro, Genet nunca conseguiu superar o estigma da adoção e do abandono e desde muito cedo era dado a fugas e pequenos furtos. 

Após a morte de sua mãe adotiva foi morar na casa de um casal mais velho onde ficou menos de dois anos. Nesse período costumava ir pras ruas passar a noite fora travestido, se prostituindo e praticando roubos. 

Acabou sendo pego aos 15 anos e enviado para a Colônia Penal de Mettray onde ficou detido de 2 de setembro de 1926 a 1 de março de 1929. Após isso alistou-se para servir na Legião Estrangeira Francesa, sendo dispensado sem honras por “atos indecentes” com seus colegas. 

De volta às ruas voltou para a prostituição e outros crimes menores como roubo e falsificação. Foi preso novamente em 1937 e foi no cárcere que nasceu o poeta Jean Genet. Seu primeiro poema foi batizado “Le condamné à mort” (O condenado à morte), que ele mesmo imprimiu, e foi nesse período que escreveu seu primeiro romance Nossa Senhora das Flores, escrito, como ele mesmo já o disse, sob influência de uma dolorosa e permanente excitação sexual.

Genet ficou famoso por esse trabalho – junto de O Milagre da Rosa – ter chamado a atenção tanto de Jean Cocteau quanto de Jean-Paul Sartre, este último tendo escrito um prefácio enorme ao romance de Genet.

Graças a intervenção destes e de outros intelectuais e artistas como Pablo Picasso que ficaram impressionados com os relatos e a poesia de Genet, seus romances foram publicados em 1949 e a pena de morte foi comutada e anulado. Jean Genet conseguiu, graças ao apelo de um corpo imenso de apoio intelectual, sair de uma vez da prisão. 

No entanto essa ambiência do cárcere, das separação dos corpos, dos companheiros e amantes de infortúnio, e toda a doçura perversa do erotismo de Genet aparecem como condimento narrativo deste único curta/média metragem dele chamado Un Chant d’Amour de 1950. 

O filme tem uma beleza muito singular retratando a vigília de um segurança dentro da prisão que sente o voyeurístico prazer de observar as tentativas de prisioneiros separados em diferentes celas de se amarem. Até então, até onde me consta – pode ser que eu me equivoque – esse tipo de nu frontal masculino masturbatório jamais tinha aparecido dessa maneira num filmes.


 


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