(83) 8692-5991 / (11) 9.9906-0896 — [email protected]

5 poetas brasileiros contemporâneos #5

Já se acostumou com a quinta dos cinco aqui da Provokeativa? Se não, vá logo se acostumando pois toda quinta-feira será dia de 5 poetas contemporâneos brasileiros aparecerem por aqui, e acredite, existem muitos deles espalhados por esse Brasil.

(Semana passada nós aqui não aguentamos e furamos a regra: colocamos 5 poetas lusitanos, só pra variar um pouco, rs)

5 poetas portugueses contemporâneos #1

Abaixo, se caso você não acompanhou, estão os posts antigos dos poetas brasileiros. Cê tá acompanhando? Se não, fiquei a vontade pra clicar.

5 poetas brasileiros contemporâneos #1
5 poetas brasileiros contemporâneos #2
5 poetas brasileiros contemporâneos #3 
5 poetas brasileiros contemporâneos #4

Bora pro #5?

*Se você não está muito por dentro do que acontece na cena poética do país, pode relaxar, a provokeativa vai fazer questão de te mostrar tudo o que ela puder.

Este post foi pensado para agradar a todos: pessoas acostumadas com a poesia e pessoas que descobriram esse vício há pouco tempo (ou quem sabe até descobrindo agora).

Quem já está acostumado sabe que a poesia quando começa a entorpecer é uma das melhores sensações possíveis, talvez  “a mais fascinante orgia ao nosso alcance”.

Ou seja, a provokeativa se compromete a te ajudar a sustentar esse teu vício delirante e libertador, ou a te viciar nisso, caso você seja do perfil que está na fase de descobrimento, rs.

Adoraremos traficar a beleza sublime da poesia até você

Aproveita, clica no link de cada artista, siga-os e informe-se sobre os livros que eles escreveram e mande até uma mensagem, bem provável que eles te respondam.


PAULO NUNES

o corpo não pensa, sabe
e tudo que há é dentro
(ou fora ou sob ou sobre)
em função de seu gesto
único: fingir existência

o corpo não lembra, está
ou dorme, indiferente
enquanto sonha uma fuga
e o mundo dá seu giro
obedecendo ao calendário

o corpo deseja, e muito –
confunde espelho e janela
de onde acena para si mesmo:
sem olhar para baixo, vai

passeando sobre o abismo

 


JOSÉ GERALDO NERES

UMA VELA CAMINHA DENTRO DA CHUVA.

Parafina a cair e aumentar a fila de iluminados. Antes da
escadaria, uma senhora recolhe os pagamentos: a
montanha os aguarda. Não se importem com o flautista,
ele tem nuvens nos dedos: atravessem as árvores e
àqueles que ainda não despertaram. Apressem o passo,
temos apenas uma vela e essa canção. Não inclinem o
corpo, o peso dos passos aumenta a queda d’água.
Sigam as vozes e as gargalhadas, mas não parem para
dar esmolas às crianças, guardem para a próxima
senhora, os seus dedos sabem o peso de cada um e qual
estrada receberá seus ossos. Apressem o passo, temos
apenas uma vela e essa canção.

 


CATIA CERNOV

ADEUS PASSAGARDA

Vou-me embora de Passagarda

Pois lá sou inimiga do rei

Recusei seu universo d prazeres&afazeres

Fui fazer voar minha mente

Vou-me embora dessas fronteiras calmas

Qe alimenta minha permanência

Qe cristaliza em uma todas as minhas mil almas

Qero kaminhar onde não existe rei

Despeço-me dessas línguas mortas

Desses versos metros

Dessa cumplicidade com os cavaleiros da corte

Qero correr mundos outros ventos ver ilhas piratas

Qero as qedas

os lobos ds estradas

os enganos

Desejo as putas tristes

os cogumelos proibidos

vinhos tintos

Não carrego bagagem escrituras teorias nem pasta ddente

Só meu corpo de chuva

tempestade tempestade vontade

e um bom punhado de maldade

Renunciei à herança ao posto ao paraíso proposto

Fiz dmim um demônio deposto

E foi com essas asas dsangue

Qe sobrevoei um céu dmangue

Noutro dia desejei ser amiga do rei

Qis minha teimosia qeu fosse andarilha

Não comi da ave do paraíso

Mas aprendi a voar com os corvos

 


BENEDITO BERGAMO

Quando estiver perdido

Quando a salvação for impossível

Quando você não alcançar o perdão

Não forem aceitas as desculpas

Quando ninguém ouvir um sinto muito seu

E o silêncio não resolver nada

Minta!

 


ALBERTO LINS CALDAS

ANTIGONA

● bem q teus pes podiam deixar de sangrar ●
● deixar de supurar e arder e estalar ●
● eles bem q podiam nos deixar em paz ●

● os olhos não q são parte de tudo ●
● as agulhas eram da nossa mãe ●
● não a tua loucura e violencia ●

● teus pes inchados teu passo de aleijado ●
● tebas pesa demais sobre essas pernas ●
● porisso teu passo é assim quase imovel ●

● mesmo assim podias te curvar ●
● como fazem desenganados com as moscas ●
● pelo menos o riso enganaria nossa dor ●

● depois ha sempre essas estradas ●
● esses ladrões esses passaros esse calor ●
● essas cidades q se afastam com medo ●

● do pai não resta nenhum traço ●
● agora é so o irmão q se despedaça ●
● nesse oficio de ser presa facil dos deuses ●

● porisso as crianças jogam merda ●
● jovens catam pedras pra nossas cabeças ●
● velhos mulheres e homens se escondem ●

● pelo menos os cães os gatos e as pulgas ●
● sabem q não podemos mais nada ●
● latem se esfregam picam e vão embora ●

● por fim o trabalho dos dias essas horas ●
● q rasgam as palavras ate o osso ●
● deixando so a doença dos restos ●

● o futuro pai não existe e o passado ●
● é essa porra q agarra sempre agora ●
● estrangula fere e marca sempre agora ●

● é melhor sentarmos um pouco ●
● engolirmos a saliva e a vergonha ●
● com certeza isso continua sem nos ●

 


Gostou deste conteúdo? Curta, comente e compartilhe – ajude-nos a quebrar as malfadadas muralhas da comunicação com a limitação do algoritmo. Precisamos de sua solidariedade para levar essa mensagem a mais gente.

Você pode conhecer nossos livros e adquiri-los nossa Loja e ajudar a fortalecer nossa editora, nosso blog e nossas propostas independentes. Chega junto!

Aproveita e segue também nosso perfil no Instagram.

Um grande beijo, bon voyage e até o próximo post!