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5 poetas brasileiros contemporâneos #6

Já se acostumou com a quinta dos cinco aqui da Provokeativa? Se não, vá logo se acostumando pois toda quinta-feira será dia de 5 poetas contemporâneos brasileiros aparecerem por aqui, e acredite, existem muitos deles espalhados por esse Brasil.

(Semana retrasada nós aqui não aguentamos e furamos a regra: colocamos 5 poetas lusitanos, só pra variar um pouco, rs)

5 poetas portugueses contemporâneos #1

Abaixo, se caso você não acompanhou, estão os posts antigos dos poetas brasileiros. Cê tá acompanhando? Se não, fiquei a vontade pra clicar.

RETROSPECTIVA:

5 poetas brasileiros contemporâneos #1
5 poetas brasileiros contemporâneos #2
5 poetas brasileiros contemporâneos #3 
5 poetas brasileiros contemporâneos #4
5 poetas brasileiros contemporâneos #5

Bora pro #6?

*Se você não está muito por dentro do que acontece na cena poética do país, pode relaxar, a provokeativa vai fazer questão de te mostrar tudo o que ela puder.

Este post foi pensado para agradar a todos: pessoas acostumadas com a poesia e pessoas que descobriram esse vício há pouco tempo (ou quem sabe até descobrindo agora).

Quem já está acostumado sabe que a poesia quando começa a entorpecer é uma das melhores sensações possíveis – talvez  “a mais fascinante orgia ao nosso alcance”.

Ou seja, a provokeativa se compromete a te ajudar a sustentar esse teu vício delirante e libertador, ou a te viciar nisso, caso você seja do perfil que está na fase de descobrimento, rs.

Adoraremos traficar a beleza sublime da poesia até você

Aproveita, clica no link de cada artista, siga-os e informe-se sobre os livros que eles escreveram e mande até uma mensagem, bem provável que eles te respondam.


GERUZA ZELNYS

 

1/4 canto

ácida eu era sua

viagem

cosmogônica

um zepelin

entalado na garganta

e você

sonhando irrigação eólica

no meu mangue

seco

caranguejos espadachins

deixam seus túmulos

em andada

pelas minhas coxas

e se espantam dos joelhos esfolados

‘pede perdão e reza

o credo’ ele dizia depois de gozar

da minha cara

e até hoje tenho medo de gente

destemida

mas não era o caso de me casar

com você

apenas desenterrarmos juntos

a carcaça de um tubarão-rei

xamã dos mares

naufragado nas dunas escorregadias

de suas ancas e omoplata

e eu queria dizer que

sou a pomba-gira do absolut

mas é só o piva assombrando

minhas próprias alucinações

a língua amortecida

o maracatu obstruindo a cantata

sarabanda de natal

e o que importa agora é que também eu

[aqui]

com o catimbó todo

pulsando no peito

exus, ebós & tambores

silenciosos

você

com o lampião à frente

acendendo os quatro cantos

onde chegamos juntos

e solitários

vindos de lugar nenhum

 


FELIPE BLANCO

 

Deus, essa inefável máquina de produzir
agulhas no palheiro

Ainda lembro do dia que encontrei uma,
Uma agulha no palheiro, mas não era
minha,
Devolvi

O diabo é um detector de metal

no palheiro de Deus

 


MARIA CAROL DE BONIS

 

Rumores crepitavam

Rumores crepitavam nos dentes
Melífluo vale ritmado de capins
Mastigados lentamente.
O amor da vértebra dos animais
Eram sinais queimados senhas
Dos passos ensaiados selvagens.
A boca derramava um som latente
Perfurando do verde escuro
O ventre fêmeo da noite coberto pelas folhagens
Enterrada na relva onde o sol
Esbeira nascedouros.
Alto o dia era sempre ontem
O som decaía nas gotas de orvalho
Dávamos conta dos anteriores ao rumo
Íamos soletrando vocábulos miúdos menores que o tempo
Da folha que resseca as gotículas estudava-se
A ciência de sermos homens nesse lugar da ausência
Na língua que desbota a claridade
E tinge do rebotalho os seres
Com a clara pupila desgastada
Com as roupas de clarão um escudo a alma.
Precipitava a fábula
Na sábia indiferença dos sábios
Acolhidos na noite o novo medo exilado
Do silêncio mais antigo
Refugiados da cidade onde reconheciam
As vozes do passado.

 


DIOGO CARDOSO

 

Felicidade

esta noite eu tive um sonho

seu corpo saia do meu
como uma cadela ressurrecta

saia de mim como um rabo
feliz em minha inocência canina

saia como quatro patas ciscando
chão de areia fixa

fora de mim, velava meu corpo
(onde eu estava?)

teu nome não me dizia nada
o seu latido guardava o meu em segredo

o cio a deixava inquieta

suspensa entre quatro dentes

meu corpo – uma massa fixa
sem qualquer resposta

um sonho apenas

você sorria de rabo solto

sentada na relva feito quem

abro os olhos
corpo ausente

continuo rindo – desperto –
rabo solto sem relva

 


ADEMIR ASSUNÇÃO

 

o anjo sujo, esfarrapado
remela nos olhos
cabeça feita
bate as asas sob o céu lilás
:
luas se dissolvem
(comprimidos de sonrisal
na fornalha da noite)
música que não cessa
minha mão dentro da sua
veias são nervuras
golfinho saltando
na pele das costas
vênus vestindo
um manto de água
a ninfa chapada
de olhos elétricos
cores girando
no abismo sem fundo
dança de estrelas
no teto da sala
dois sóis em cada ontem
três vozes
na voz de quem cala

 


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