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As meninas loucas precisam pôr fogo em tudo

 

Prefiro os livros mais afeitos ao perigo: aqueles que me intoxicam como uma lufada de vinho advindo de uma fonte desconhecida, imprevisível, quase inacessível.

Esses são os livros capazes de polinizar a vontade de metamorfosear-se continuamente, de chafurdar no mundo da vida saturado das faculdades transfiguradoras da poesia, de reconhecer o inaudito como um tipo de natureza profunda que nos incomoda justamente por não ter uma linguagem articulada no léxico comum do cotidiano corriqueiro. No entanto, essa dimensão da experiência esta lá… encadernada em brochura, ao alcance de nossas mãos.

Enquanto leio o livro de estréia da Tóia Azevedo, vejo o poema assumir um corpo desviado como uma chama correndo e dançando em grãos de pólvora, feitiços, cascalho, papéis amassados. Esses papéis amassados um dia, talvez milênios atrás, foram fortes luas desfraldadas no mar da total ausência de vergonha, despejados num silêncio invertido com vozes que matizam espinhos dourados e filigranas de ópio. Arquipélagos onde insetos – uma mariposa, vermes escondidos numa maçã ou num jardim verde-neón lyncheano – e cadernos queimados escavam a superfície do mundo minguante para encontrar saída e um pouco de luminosidade, o escape anticonceitual da loucura e encontram ali, gesticulando com a primavera entre os dentes ou Perséfone recém-saída do mundo dos mortos, uma anti-heroína de mil faces.



Do bebê que saiu do ventre desconfiando da roubada na qual acabara de entrar – “eu chorei / pois sabia ter chegado a esse mundo / pavoroso” – ao autorretrato 3×4 em forma poética do cadáver suicidado de Francesca Woodman, Tóia desfila suas vozes e poemas-corpos no desvio e reinvenção de seus próprios paradigmas.

Que delícia de livro, meus amigos!

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Já do meu primeiro contato com ‘Meninas Loucas Não Vão Para O Céu havia percebido uma coesão interna relacionada à espaço-temporalidade dos eventos transcorridos e poematizados no livro.

A jovem autora, muito solícita, me enviara uma primeira versão para apreciação (ele chegara à nossa editora por meio de meu cúmplice, o poeta Roger Tieri) e, logo depois, pediu-me desculpas e para desconsiderá-lo (teria como?) pois tinha o desejo de enviar uma nova versão com pequenas alterações – e fora bem isso mesmo, dois poemas a mais e poucos retoques com algumas prosa que antes não haviam lá e o livro me veio.

Ao lê-lo novamente a primeira (segunda, na verdade) impressão do material integral que me ficou é que, mesmo contendo arcos temporais diversos, ele segue o fio ontológico de maturação do eu-lírico retratando com narrativas e fractais poéticos eventos envolvendo um caminho que cobre do nascimento ao desenvolvimento de uma jovem mulher, púbere, em acelerada colisão contra o mundo (e bastante – mas, bastante mesmo – conflito interno).

De “No Princípio era o caos” (poema que abre a seleta) até “a santa levantou a saia” (o último) somos guiados no percurso da loucura que é ter nascido mulher/menina num mundo pavoroso e, uma vez nele, não se identificar com nada dele: nem de seus símbolos, nem de seus rituais, nem seus protagonistas (e dentre estes, muitas vezes – os nossos pares, família, etc – Quem nunca?).


Embora criada em seio cristão-católico de família, vemos como os rituais da formação católica-cristã, de acordo com a perspectiva uma alma livre, errante e pulsante (Friedrich Nietzsche – aquele mesmo que tinha admitido que Lou Salomé era uma das poucas que o tinham realmente entendido! – diria “Espírito Livre”) do desejo ardente de luxúria, aventura, vidência, mais se assemelham à tortura e lavagem cerebral.

Como inculcar na mente de uma criança a existência do inferno e noções como as de “castigo eterno”, “pecado”, “penitência”, etc, pode ser considerado algo “são” ou mesmo “aceitável”? Somente enquanto método medievo  em nome da tal ilusão de controle e vontade de submissão alheia.

E, como bem sabemos, não querer ou não aceitar ser convertido – ou melhor, deformado e violentado! – por tais doutrinas, perseguições morais e valores metafísicos nos levam à posição da “loucura”, do lugar de desvio, do não-lugar, da “inadequação” tão sublimemente hostilizada. E essa é uma semente muito interessante para se começar algo que pode ser bastante duradouro.


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Tomado como um objeto único o livro de Tóia é muito coeso em sua experimentalidade de ritmos, registros e formas poéticas.

Das narrativas quase-contos como “A mariposa no chão do banheiro“, a poema-menores (apenas em tamanho, posto que são bem potentes) como “primeira comunhão” ou “Freudiana“, chegando à escrita-experiência extrema de “manifesto-limítrofe“, Tóia vai nos exibindo sua elasticidade vocal-métrico-poética que dispõe d’uma exuberância de estilos, respirações e dicções, além da capacidade de criar boas imagens poéticas num léxico bastante tangível. E o que poderia fragmentar o ritmo da unidade acaba transformando o objeto-livro em algo vivo e pulsante, dinâmico, incorporando e criando o seu próprio sentido de existência.

Dentro disso, quem são Tóia? 

De bebê renegado do primeiro poema  a Ofélia com o corpo enfeitado por “guirlandas de flores“, de reparadora histórica a amante furtiva que invade banheiros de irmãs alheias a discípula das grandes poetas Hilda Hilst e Sylvia Plath, em Meninas Loucas  o repertório de faces e vozes está bem far way do comportamento instagramável hodierno – e, bem, tomara que Tóia continue se recusando à “normalidade” e ao comodismo de uma carcaça deglutível!  O Outro de si mesma em intransigente plasticidade.


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Além disso da poesia em forma e conteúdo, há certos “respiros” enganosos que seccionam as partes deste desenvolvimento – como fatias de um bolo – que são escritos seriados e numerados de prosa poética quase à beira da convulsão.

Prosa essa que, por sua vez, foge das classificações e das réguas da correção literária e se “dissolve
se fragme
nta língua
gengiva
aBsOrve mAIS rApiDO
what the fuck je suis escrevendo??????“, onde a autora vai trazendo mais à tona esse fundo anárquico que a compele ao ato criador e lhe coloca neste lugar onde a poeta, a louca, a bruxa e o intrusa-fugitiva se reconhecem e identificam diante do mundo hiperdesenvolvido que defeca escassez, separação e juízos categóricos sobre todos os fenômenos particulares ou universais.

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O livro, composto com diversos poemas, ritmos poéticos e encadeados numa visão de arco temporal – como bem tenho aqui dito – manifesta um devir ou uma organicidade múltipla que se desdobra e autoinventa.

Tóia já me entregou em mãos o livro nesse formato – digo, com esse ordenamento específico de poemas e prosas – tivesse eu me atrevido, como o fazem alguns editores, a “mexer” nele, o efeito teria sido totalmente outro no movimento da leitura e da experiência do leitor.


Em tempos da quase imposição do “modo shuffle” na  fragmentada e problemática percepção atual – nos quais, e contra os quais, até a cantora Adele fez um manifesto com seu disco ’30’, o qual compôs como um trabalho integral que segue um desenvolvimento cumulativo único – o livro da Tóia exige uma leitura inicial linear para ser devidamente apreciado.

Claro que o leitor, tanto quanto o poeta, pode infringir essa “lei” e brincar com as possibilidades. Mas, isso fica muito melhor depois que se conhece a intenção original do(a) autor(a), concordam?


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Tomar o ponto de não-partida próprio dos outros – do totalitário mundo dominante – o “Não-lugar” por assim dizer e fazer dele símbolo da ontologia desobediente, da dissidência, locus do não-referente. E no processo tornar esse percurso o seu próprio princípio libertador – eis o que é assumir-se “louca” na contramão do posto, do dito e do repetido. Aquilo que Antonin Artaud já declamou com sua vida e em obras tais como suas conhecidas cartas e seu mais do que vigoroso e essencial Van Gogh: Suicidado pela Sociedade. 

É aí que Tóia faz sua belíssima operação de subversão de todas as significações atribuídas e as reduções da exclusão ou da repressão ligados à loucura com seus estigmas espinhosos e proibitivos. Como quando um coletivo de mulheres no Canadá reapropriou-se do termo “Bitch” (Vadia) como signo de libertação de seus corpos dos grilhões de regras, códigos e condutas que aprisionavam seus afetos e percepções de si e de outras mulheres. A mesmíssima operação com termos como “megera” ou “bruxa” (Witch) cuja relação com o primeiro é bem mais óbvio em língua inglesa.

Aqui a “Louca” – como sinal de “intensa”, “esquisita”, “incomum” ou “histérica” – ganha um sentido muito mais rico, metamórfico e profundo.


Sobre isso, me falou a própria autora: “A questão da loucura é complexa, mas simplificando: para ser louca, basta ser mulher. Nós já nascemos, perante a sociedade, sobre o augúrio da loucura, da histeria, do descontrole. Isso se torna ainda pior quando você realmente tem alguma questão mental, o que é meu caso. A luta contra o estigma é uma batalha constante – comigo, vem desde a adolescência. Vivemos em uma sociedade que classifica qualquer pessoa que fuja minimamente a regra de louca, então comecei a refletir muito sobre o que se trata essa tal “loucura”. Quem define o que é e porque pode definir? Qual o real significado dessa palavra? Quais suas camadas e suas consequências tanto num âmbito pessoal quanto social?

Diga-me, caro(a) leitor(a): como não reconhecer razão a essa colocação?

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A entrega e o reconhecimento do pusilânime enquanto parte de se estar vivo, o ato de “feticidar a fé” logo ao se entrar nas convulsões sem sentido de um mundo frenético por aprovação, pertencimento e identidades compradas no mercado. É certo – ao menos minha sensibilidade coloca aí parte essencial de sua crença –  que queremos a utopia agora e já neste mundo e não em “outro”, mas isso por si só não aliena o lado da contingência, do acaso (“da onde vem / o acaso / da galinha / ou do ovo?“) próprios à condição humana em todos os lugares e tempos.

As massas, o grande número, o comum, amam os tiranos ou apenas o exigem por descrerem de si próprias e agirem de modo inconsciente? Os tiranos respondem aos desejos regressivos de horda e bando, às sombras inconscientes de nossas personalidades, descarregando violência e terror contra as exceções, os “de fora”, as anomalias — e quem dúvida de que o indivíduo autêntico, a singularidade, seja tida por “anomalia”?

Basta pensar nos antigos gregos (aqueles dos tempos de Péricles, Homero, Hesíodo, etc), por exemplo, no qual a idéia de individualidade era impensável por ser desagregadora em relação às cidades—estados! — aqueles não—normais que enxergam o mundo com as lentes da alteridade. A maior parte da população pensa igual aos  tiranos atuais? O difícil é identificar o que se chama de “pensamento” com alguma clareza fora das paixões violentas do século!

No entanto, há a poesia! E se a poesia não pode ser um “consolo”, pode muito bem ser uma arma contra o império da insensibilidade instrumentalizada em todos os meios sociais e culturais existentes até o momento.



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essa é a hora que aflora…

A poesia de Tóia  não foi gestada de atos falhos, nem de rascunhos meramente ilustrativos – irrompeu de uma escuridão caótica de cuja boca “mais parece uma pintura neo-expressionista“.

Como uma estranha no ninho – e não “como uma passarinha” – saindo da zona de guerra com os sentidos expandidos por um mundo que a cutuca com suas categorias, Tóia reúne em seus versos a beleza que “se perdeu” no exato momento em que deslizou ventre afora. Beleza essa que, em seu livro, podem ser reunidas como pérolas saqueadas pela súbita capacidade de sentir e enxergar formas inexistentes.

Um nascimento às avessas, “Meninas Loucas Não Vão Para O Céu” tem o seu vagido pareado com a acusação feita às meninas intensas, curiosas e rebeldes que não aceitam ser reduzidas ao lugar onde a submissão e a morte sejam alicerçadas como súditas da ignorância e locus de potência sublimada, saqueada e reduzida.

Se o mundo dominado pelos esquartejamentos, opressões, condicionamentos de todos os tipos parece a matriz infernal delineada segundo o design sombrio de um Mau Demiurgo, Tóia parece ter transformado o seu transtorno apontado pelo códex do poder em via de autotransformação ou autopoiésis.

É o que vemos no percurso de cinzas – “bússolas / antes da bússola ser inventada” – deixadas ao longo do caminho: “se eu contasse / você não acreditaria“. Eu acredito, Tóia.

Se as ‘Meninas Loucas Não Vão Para O Céu‘ é justamente porque elas acordaram e decidiram que poderiam ir para onde quiserem ir e que a poesia é uma estrada cheia de torções espirituais que ensinam o canto a se metamorfosear em diásporas da inventividade.


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Aqui a santa levanta a saia, as putas se santificam e se formam com PhD em arquitetura barroca ou estilo Bauhaus, as meninas loucas que antes choravam como se “fosse(m) um acidente inesperado / ou refutado” convertem-se na única voz autêntica possível dentro de um mundo de dancinhas e repetições sem alma. Uma dança das cadeiras na qual quem não se adapta perde o brilhante pódio no círculo dantesco dos algoritmos.

Sim, há uma certa juventude imensurável e incompromissável nesse livro – há uma rebelião tipicamente adolescente, mas a rebeldia adolescente não é um destes primórdios estágios nos quais nosso próprio senso de nós mesmos começa a dar as caras e perceber que o mundo em que fomos colocado não tem nada a ver com os sonhos que possuímos no fundo de nosso sono e o romantismo estimulado por uma indústria de aparência que oferece com uma mão o que nos rouba com a outra?

Além do mais, essa potência de juventude e adolescência no livro me fazem sorrir ao lembrar de uma frase do poeta que tanto admiramos aqui na Provokeativa, Roberto Piva: “sejamos sempre todos adolescentes, todos irresponsáveis” e “eu quero é ficar do lado da juventude“. Piva, ele que era um admirador inconfesso de Arthur Rimbaud, a quem André Breton já chamara de “deus da adolescência“. Indiretamente a revolta rimbauldiana fervilha nas veias poéticas deste livro de Tóia, muito embora filtrada tanto por suas experiências diretas quanto por outras referências que absorveram certamente a potente obra-vida do poeta de Charleville.

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Em meio desta soberba planetária dos algoritmos, da autoexploração legitimada e transformada em um tal de “empreendorismo”, da ditadura das dancinhas e da submissão ao desconforto da vergonha alheia, afinal, como que se pode “aproveitar a juventude” se não for andando aos socos e pontapés na contramão desse sistema doentio entre uma licenciosidade, travessura, blasfêmia e outra com as mãos cheias de dádivas divertidas e libertadoras?

Mesmo quando eu mesmo era mais novo (pois mesmo na casa dos trinta jamais de ser jovem!) todos estes processos de automutilação e abnegação nunca deixaram de ser exorbitantemente intransigentes e intranquilos. E a essa “adequação” foi-se criando e colando certa aura de “amadurecimento” (“Veja só como Fulano/Fulana cresceu! Agora sim botei fé!“). No fundo, uma farsa ignóbil que encobre a modulação sutil das novas e atuais formas da escravidão/servidão voluntária.

Cada pessoa (ou seguidor/influencer digital) como um apêndice numérico na maquinaria perversa que emula “essa tal liberdade” do Capital simbólico tão concreto e cada vez mais exclusivo numa “democracia” em que só se participa se você pode pagar – com a aparência e o discurso “corretos” – pra se estar in.  

Como é que se pode ser realmente venturoso, saudável e expansivo em meio a tanto entulho e retaliação?

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E mesmo na literatura – e no mundo editorial per si – não faltam aqueles que reproduzem a ordem do dia do Capitalismo tardio como um batismo e um destino, como se não pudéssemos fazer mais nada a não ser trabalhar insensatamente até o completo esgotamento físico-mental em nome de um estilo de vida de aparências emprestado dos sonhos impostos de fora como “consumo”, afundar em pílulas, planilhas, aulas de ioga, terapias, psicodramas, misticismos, como válvulas de escape e mantra cibernético de autolobotomização para não ficarmos em posição fetal chorando pitangas por um mundo atroz que nos empurra de um momento a outro até o caixão. Como se a história e tudo o que nos circunda também não fossem frutos dos gestos criativos de outrora, ora porra!

Esse sopro furioso desta força magnética de confronto com as coisas que cheguei a chamar de tsunami-mágico encadernado” encarna as belas virtudes da poesia como modo de vida e subversão da linguagem e dos costumes. Algo do qual tenho feito minhas vivências-obras há um bom tempo.

E é bem gostoso conseguir reconhecer em outros essa dimensão existencial tão bem construída e costurada como obra poética. E ajudar a trazer isso ao mundo é uma das coisas mais legais de se ter uma editora!


*


Com isso concluo me atrevendo a dar uma dica preciosa para todos vocês:

Leiam Tóia Azevedo, leiam “Meninas Loucas Não Vão Para O Céu” (se possível, leiam já!) e tenham essa experiência única de resgatar essas pulsões do descaminho, do arrebatamento lírico contra as mordaças e tiranias que nos espezinham no cotidiano, na fuga ardente do chatíssimo mundo quadrado dos rebanhos, das massas (mesmo o “desconstruído” tão rezado e apreciado já se tornou tão “O MESMO” batido) e de todas as pessoas “bonitinhas e bacanas” que querem acordar no tal do “Paraíso” e que não entendem que a imanência também possui os prazeres e as dores da danação infernal passíveis da alquimia criativa.

Declamar a si mesma diante de um mundo em polvorosa exige não apenas um nível radical de sinceridade como uma dose de coragem na qual, na maior parte das vezes, mal se equilibra nossa saúde mental e moral.


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